Vernissage TJMG 2026

Inauguramos, dia 21 de julho, mais uma exposição, Gravidade Suspensa. Dessa vez, dividi o palco com o artista Ricardo Horta, que eu não conhecia e tive o prazer de conhecer. Descobri que ele se formou na antiga FUMA, onde eu mesmo me formei em design gráfico em 2001 (meu deus). Tudo se deu pelos caminhos do edital do TJMG 2026, me inscrevi já na prorrogação, correria. E deu certo, contemplaram eu e o Ricardo, que também se inscreveu de última hora. Eu já estava terminando uma certa coleção, toca meu zap e era o Jonny Armani dizendo que era pra eu me inscrever. O cara está em todas, essa eu devo a ele.

Fomos bem assessorados e acolhidos pela Cláudia Elias do TJ, fiquei bem tranquilo e a preparação foi tranquila demais até o dia do evento. As exposições são feitas no hall do prédio do TJ, um espaço amplo e iluminado. Na quinta montamos tudo, eu, Ricardo, Luana (que nos representa pela Artwhish), Claudia e o grande Bruno, que me passou muitas dicas de mercado. Terça começava.

Fiquei ali, olhando aquele tanto de tela reunida, pensando em cada uma, como foram feitas e etc…. e quando você vê, já está tudo ali, parece que levou um dia para serem feitas aquelas imagens todas. É uma sensação estranha. Pintar tudo e depois ter que mostrar para as pessoas verem. E aí, qual é a ideia? O que quero com isso? Como as pessoas irão receber e sentir as imagens? Não são imagens meramente comerciais, meramente ilustrativas. Eu arrisco tudo. Gravidade Suspensa tem grande influência de Bacon no estilo de pincelada e preparação de tela. É tudo muito seco e cru, sem muito brilho do óleo, zero gesso. O clima também é pego emprestado, mas as imagens são coisa da minha cabeça, essa mania de misturar tudo o que gosto, de me desafiar a juntar coisas desconexas em um mesmo quarto e dizer que elas tem que se entender ali, como que de castigo. A maioria causa uma estranheza inicial, a minha pintura é relacional, você precisa de tempo para criar conexão. Eu acredito que é daí que surgem grandes relações, você tem que investir, decidir fazer aquilo acontecer, claro, dentro do estalo inicial que é se sentir atraído por aquela imagem que se apresenta. Elas resistem ao tempo, posso dizer seguro, só precisam de um crédito de confiança.

Na vernissage eu estava complemente morto, muito cansado. Mas sorri. Socializar também tem um custo muito grande pra quem vive no seu canto a muito tempo. Muita gente que me garantiu ir, não foi. No dia, as pessoas esquecem, ficam com preguiça, é de se entender. Ser artista é lidar com a rejeição diariamente e isso cria uma casca, cria uma sensação de responsabilidade, auto controle e independência emocional. Mas leva um tempo. Você sabe que pode escolher caminhos, tudo é “culpa” sua.

Eu gosto do que crio, tenho sempre a sensação que dá pra melhorar nisso ou naquilo e isso me dá motivos pra viver os dias de forma real, com porquês, com vontade de ir ajustando. Sempre penso na velhice, pintando alguma coisa numa casa aconchegante depois de pescar lambaris.

 

Os desembargadores chegaram, o cerimonial deu o “start”, os artistas falaram, o presidente do tribunal discursou e soltou a boiada. As pessoas se aglomeraram, enfim, no salão. Minhas impressões sobre o existir jurídico até renderiam outro texto. Mas voltando, senti que as pessoas gostaram das pinturas, mesmo não imaginando na casa delas. Teve uma jurista que sentiu certa repulsa, achei justo porque ela não aparentava ter nada a ver comigo. Ninguém é obrigado a pensar igual. Vendi uma obra nessa noite. De manhã também havia vendido dois desenhos em pastel oleoso e estava feliz com isso. Revi pessoas queridas, amigos que marcaram novamente presença em uma expo minha e isso tem valor enorme pra mim. Ninei os elogios sinceros. Senti a importância de ter sido selecionado pelo edital, senti reconhecimento e aquilo me bastava. Eu e Isabelle, minha companheira, ficamos até o fim. Fiquei no limite do esforço, cheguei em casa e chorei um pouco de cansaço, confesso, pensando em como os últimos anos foram desafiadores, em como o presente ainda é delicado em alguns talheres. Foi um dia tão intenso, me lembrou a minha primeira exposição ano passado, “Pinturas Cáusticas para Dependentes”, fiquei igualmente exausto. Levei dois dias pra recuperar o ritmo. Em casa, brindamos uma taça pra marcar o calendário. Tudo deve ser comemorado, de forma simples e prazeirosa. As crianças gostaram da empreitada, em especial, do buffet rs. Dormiram.

No final, dá tudo certo sempre, seja lá o que isso significa.

Fotos: Gláucia Rodrigues